domingo, 13 de fevereiro de 2011

FRACASSO DE UM GUERREIRO

A Verde Vale opera, além das linhas para Gaspar, Blumenau e Ilhota, a linha "Blumenau x Baú". Geralmente esse percurso recebe os ônibus um pouco mais antigos da empresa, que nem por isso estão mal cuidados. Isso ocorre porque aquela linha passa por muitas estradas de barro e os ônibus mais novos se deteriorariam rapidamente. Essa linha sai de Blumenau e passa pela BR470, uma importante ligação entre o Vale do Itajaí e o litoral norte catarinense.

Era um dia de calor, exatamente o dia 25 de maio de 2007. Como estudava de manhã, a tarde fui para Blumenau com meu pai. Na volta, como estávamos no bairro Fortaleza, decidimos voltar à Gaspar pela BR470. Era um dia normal e tinha um certo movimento, mas que não era intenso.

Já na localidade do Belchior, em Gaspar, vejo uma nuvem de fumaça, mais ou menos 100 metros a frente de nosso carro. Não consegui ver exatamente o que era, e a fumaça continuava a medida que nos aproximávamos desse veículo. Quando chegamos a cerca de 25 metros dele, pude ver que era um ônibus da Verde Vale, fazendo a linha "Blumenau x Baú". A fumaça já era pouca, mas mesmo assim o ônibus parou. Foi quando pude ver que se tratava do veículo número 871, que era um Marcopolo Torino GV montado sobre o chassis Mercedes-Benz OF-1620/60. Passamos ao lado dele e deu para perceber que o motorista acelerava o ônibus insistentemente, na tentativa de continuar a viagem. Aparentemente o problema era no escapamento, pois além de soltar a fumaça (que naquela hora já era pouca), emitia um ronco muito estranho, mais ou menos como ferro batendo em ferro. Mas como é uma via de circulação rápida a única coisa que me restou foi olhar no retrovisor. Nisso, pude constatar que ele permanecia parado.

Continuamos a viagem em direção ao centro de Gaspar. Andando mais cerca de 3 quilômetros, cruzamos com um ônibus da Viação Verde Vale no sentido contrário, que por sinal era outro Marcopolo Torino GV, mas que por sua vez tinha a inscrição “ESPECIAL” no itinerário e era dirigido por um mecânico da empresa. Logo liguei os fatos: o mecânico estava levando um ônibus funcionando para a viagem ao Baú poder continuar.

Ao chegar ao trevo de acesso a Gaspar ainda não era tarde e decidimos parar para lavar o carro. O posto fica as margens do acesso a cidade. Fiquei olhando atento para a BR470 e vi quando passou o veículo que ia ao Baú, que foi substituído. Tinham outros carros lavando e por isso demorou cerca de meia hora a lavagem do carro de meu pai. Cerca de vinte minutos após a passagem do veículo substituto para o Baú, vejo que se aproxima pela rodovia o carro 871, que ainda emitia o ruído estranho, mas não soltava mais aquela fumaceira.

Estava sendo guiado pelo mecânico e passou em frente ao posto, pois entrou no acesso para Gaspar. Com certeza estava sendo levado para a garagem da empresa, pois além de estar sendo dirigido pelo mecânico estava danificado e não passava muito dos 60 km/h.

Após esse dia, o 871 foi visto pouco circulando, provavelmente ficou encarregado somente de alguns horários para o Baú ou como veículo reserva. Mas me lembro com saudades desse ônibus, que além de circular por cerca de dez anos na Verde Vale, era muito bom e muito bem conservado pela empresa, como a maioria de seus veículos. Ficou na empresa até o fim de 2007, quando ele e mais alguns veículos foram substituídos pelos novíssimos Marcopolo Torino GVII, que foram adquiridos zero-quilômetro.

Esse ônibus já se foi, junto com os outros “irmãos” dele. Estragou naquele dia, mas isso não mancha sua reputação de veículo forte, tanto pelo chassis quanto pela carroceria. Ainda é, e será por muito tempo lembrado pela valentia e pela resistência com a qual operou aqui por vários e vários anos.

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Lucas Amorim
Fato ocorrido em 25.05.2007
Texto escrito em 11.01.2010

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